Da farda ao jaleco: A trajetória de Fábio entre disciplina, Medicina e gestão
Antes do jaleco, veio a farda. Para Fábio, a trajetória profissional foi construída a partir de experiências que, embora distintas, acabaram se conectando ao longo dos anos. Médico, executivo, professor, palestrante, mentor e consultor, ele encontrou na combinação entre assistência, gestão e conhecimento uma forma de compreender os desafios enfrentados pelas organizações de saúde. Enquanto cursava Medicina, Fábio também atuava como policial. A rotina exigia conciliar o trabalho com a formação acadêmica e, muitas vezes, os estudos aconteciam dentro de uma viatura, entre uma ocorrência e outra. Foi nesse período que desenvolveu uma percepção que permaneceria presente em sua trajetória: […]
Antes do jaleco, veio a farda. Para Fábio, a trajetória profissional foi construída a partir de experiências que, embora distintas, acabaram se conectando ao longo dos anos. Médico, executivo, professor, palestrante, mentor e consultor, ele encontrou na combinação entre assistência, gestão e conhecimento uma forma de compreender os desafios enfrentados pelas organizações de saúde.
Enquanto cursava Medicina, Fábio também atuava como policial. A rotina exigia conciliar o trabalho com a formação acadêmica e, muitas vezes, os estudos aconteciam dentro de uma viatura, entre uma ocorrência e outra. Foi nesse período que desenvolveu uma percepção que permaneceria presente em sua trajetória: disciplina não significa esperar pelas condições ideais, mas saber trabalhar com os recursos e o tempo disponíveis para cumprir uma responsabilidade.
A Medicina o levou inicialmente para a assistência. Com o passar dos anos, porém, sua experiência profissional o aproximou da gestão e da liderança de organizações de saúde. A mudança de perspectiva permitiu que Fábio observasse não apenas o atendimento e a atuação dos profissionais, mas também os processos que sustentam o funcionamento das instituições.
Foi nesse ambiente que uma questão passou a ocupar lugar central em sua atuação: por que organizações que reúnem profissionais qualificados, recursos e estratégias bem definidas ainda podem apresentar dificuldades para alcançar resultados consistentes?
A resposta, segundo a experiência acumulada por Fábio, muitas vezes está na ausência de integração. Processos que não se comunicam, indicadores que não são utilizados de maneira adequada e áreas que trabalham de forma isolada podem comprometer o desempenho de uma organização. Quando a liderança também encontra dificuldades para interpretar as mudanças do ambiente, a instituição pode perder capacidade de resposta diante de novos desafios.
Essa percepção levou Fábio a ampliar sua atuação. Além da experiência na assistência e na gestão, passou a trabalhar com formação de profissionais e lideranças, educação executiva e empresarial, mentorias, palestras e consultoria para organizações de saúde.
Seu trabalho passou a considerar a organização como um conjunto de áreas que precisam funcionar de maneira articulada. Mapear processos, identificar gargalos, revisar fluxos, aproximar setores e analisar indicadores fazem parte de uma abordagem que busca compreender onde estão os pontos de ruptura e como eles interferem no resultado final.
Para Fábio, essa integração é especialmente importante na área da saúde. Uma decisão tomada no campo operacional pode repercutir diretamente nos resultados financeiros de uma instituição. Um processo mal estruturado pode gerar retrabalho, atrasos e dificuldades que chegam à experiência do paciente. Da mesma forma, uma liderança sem preparo adequado pode encontrar obstáculos para transformar uma estratégia definida em execução efetiva.
Os indicadores também ocupam espaço importante nessa análise. Para além dos números apresentados em relatórios, Fábio defende uma leitura crítica das informações disponíveis. Indicadores podem revelar tendências, apontar desvios e contribuir para a definição de prioridades, mas precisam ser interpretados em conjunto com a realidade de quem acompanha a operação diariamente.
Essa relação entre informação e experiência está ligada a outro conceito presente em sua trajetória: a capacidade adaptativa das organizações. Em um setor marcado por mudanças constantes, Fábio entende que estratégia não pode ser tratada como um documento estático.
O planejamento estabelece uma direção, mas os cenários mudam. Novas informações surgem, comportamentos se transformam e circunstâncias econômicas, regulatórias e sociais podem alterar as condições inicialmente consideradas. Por isso, a capacidade de acompanhar o ambiente, interpretar sinais e rever decisões tornou-se parte importante da gestão contemporânea.
Na visão de Fábio, preparar uma organização para o futuro não significa tentar prever todos os acontecimentos. Significa desenvolver condições para responder melhor quando eles ocorrerem.
Essa perspectiva também está presente em seu livro, Governança Clínica que Decide o Futuro, no qual sistematiza uma metodologia construída a partir de sua experiência na assistência e na gestão. A obra aborda a governança clínica a partir de uma perspectiva relacionada à tomada de decisão, à integração entre diferentes interesses e à preparação das instituições para um ambiente de mudanças.
Para Fábio, governança clínica não deve ser compreendida apenas como uma estrutura burocrática. Ela também envolve a maneira como as organizações estabelecem responsabilidades, acompanham resultados, organizam decisões e aproximam diferentes áreas que participam do cuidado e da gestão.
A formação de lideranças é outro eixo de sua atuação. Ao longo da experiência profissional, Fábio passou a defender uma preparação que ultrapassa o domínio técnico de uma determinada função. Para ele, profissionais que ocupam posições de liderança precisam compreender o funcionamento do negócio, interpretar informações, acompanhar indicadores, relacionar estratégia e execução e reconhecer os impactos de suas decisões sobre a organização.
Nas mentorias e consultorias, essa abordagem parte das necessidades concretas de cada profissional ou instituição. Processos que precisam ser revistos, indicadores que necessitam de uma interpretação mais adequada, setores que precisam trabalhar de maneira integrada e situações que exigem novas estratégias fazem parte das questões analisadas.
A trajetória de Fábio entre a polícia, a Medicina, a assistência, a gestão e a educação contribuiu para formar uma visão na qual pessoas, processos e decisões não podem ser analisados separadamente. Para ele, resultados consistentes dependem da combinação entre profissionais preparados, processos estruturados, informações de qualidade e capacidade de tomar decisões diante de diferentes cenários.
Mais do que acumular experiências em áreas distintas, Fábio transformou essas vivências em uma forma própria de interpretar as organizações de saúde. O conhecimento adquirido na assistência passou a dialogar com a gestão; a experiência de liderança passou a se relacionar com a formação de profissionais; e a observação dos processos passou a fazer parte da análise das decisões.
Sua trajetória mostra que o desenvolvimento de uma organização não depende apenas de novos recursos ou de estratégias elaboradas. Depende também da capacidade de compreender como as diferentes partes da instituição se relacionam e de reconhecer quando é necessário mudar o caminho.
É nesse ponto que Fábio concentra sua atuação: na aproximação entre conhecimento, estratégia e decisão. Um trabalho que parte da realidade das organizações e busca compreender seus desafios não apenas para responder aos problemas atuais, mas também para criar condições de enfrentar aqueles que ainda estão por vir.
O futuro das organizações de saúde não pode ser completamente previsto. Para Fábio, entretanto, ele pode ser melhor preparado quando pessoas, processos, informações e decisões passam a trabalhar de forma integrada. Essa compreensão resume uma trajetória construída entre a assistência e a gestão e orientada por uma questão que permanece atual: como preparar organizações para decidir melhor diante de um cenário que está sempre mudando?
Saulo Pazine Amorim é advogado, pós-graduado em Direito Previdenciário e presidente da Comissão de Direito Previdenciário da 60ª Subseção da OAB/MG. Com atuação em diferentes regiões do país e no Distrito Federal, dedica sua carreira às questões previdenciárias, com atenção especial aos trabalhadores rurais e segurados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Sua relação com o Direito Previdenciário também está ligada às suas próprias raízes. Nascido e criado na roça, em uma pequena cidade do interior de Minas Gerais, Santa Rita do Ituêto, Saulo cresceu próximo da realidade do campo e do trabalhador rural. Essa vivência permitiu conhecer de perto histórias de trabalho, dificuldades e desafios enfrentados por famílias que dependem da atividade rural e, posteriormente, da Previdência Social.
Foi essa proximidade com a realidade das pessoas que também contribuiu para sua escolha pelo Direito Previdenciário. Ao longo da carreira, passou a concentrar sua atuação em uma área que considera diretamente ligada à vida de milhões de brasileiros. Aposentadorias, pensões e benefícios do INSS representam, para muitas famílias, segurança e renda em momentos importantes da vida.
Para Saulo, atuar no Previdenciário exige mais do que conhecimento técnico. É necessário compreender a história de cada segurado, sua trajetória profissional e as circunstâncias que envolvem a busca por um benefício.
Essa visão também está presente em sua forma de se comunicar. Saulo procura abordar temas jurídicos utilizando uma linguagem simples e acessível, aproximando a informação previdenciária das pessoas. Participa de podcasts, entrevistas, programas de rádio e palestras, levando ao público informações sobre aposentadorias, benefícios e direitos previdenciários.
Sua trajetória reúne, assim, as raízes no campo, a formação especializada e a experiência na advocacia. Uma caminhada que começou em uma pequena cidade do interior de Minas Gerais e que hoje alcança diferentes regiões do país, mantendo como uma de suas principais características a proximidade com as pessoas e com a realidade de quem busca seus direitos.
Depois de 12 anos como bombeira militar e 111 países visitados, Keka Pelo Mundo construiu uma trajetória marcada por mudanças profissionais e pessoais e, agora, desenvolve um projeto voltado ao exercício da coragem diante das escolhas da vida
Há trajetórias profissionais que se desenvolvem de forma linear. A de Keka Pelo Mundo seguiu outro caminho. Antes de se tornar conhecida pelo trabalho relacionado ao turismo e às viagens, ela passou 12 anos na carreira de bombeira militar. Nesse período, conciliou a rotina operacional com viagens realizadas durante folgas e trocas de plantão. Anos depois, deixou a farda, passou a produzir conteúdo na internet e transformou a experiência acumulada em diferentes frentes de atuação profissional.
A relação de Keka com as viagens começou ainda na juventude. Aos 18 anos, realizou o primeiro intercâmbio, na Índia. Viajou sozinha e sem dominar o idioma, enfrentando uma realidade diferente daquela que conhecia. A experiência foi marcada tanto pelas dificuldades quanto pela descoberta de novas culturas e acabou influenciando a maneira como passou a enxergar as viagens.
A decisão de investir em experiências internacionais também teve influência da família. Durante a infância, Keka enfrentou dificuldades, mas cresceu com o incentivo da mãe para que os filhos tivessem acesso à educação, ao estudo de inglês e a programas de intercâmbio. O investimento, feito mesmo diante de limitações, abriu oportunidades que contribuíram para suas escolhas posteriores.
Aos 21 anos, Keka foi aprovada em um concurso para bombeira militar. Durante os 12 anos de serviço, atuou no setor operacional, inclusive na condução de ambulâncias. A profissão trouxe estabilidade, mas não interrompeu o interesse pelas viagens. Sempre que a escala permitia, ela aproveitava os períodos de folga para conhecer novos lugares.
Aos 30 anos, realizou um segundo intercâmbio, desta vez na Austrália. A previsão inicial era permanecer quatro meses, mas a estadia se prolongou por dois anos e meio. O retorno ao Brasil foi motivado, entre outras questões, pela necessidade de tomar uma decisão definitiva sobre a carreira militar. Keka queria compreender se ainda fazia sentido permanecer na profissão que havia escolhido anos antes.
A mudança começou a ganhar forma em 2018, quando ela passou a produzir conteúdo sobre viagens na internet. O trabalho começou de maneira espontânea, principalmente pelo Instagram. Com o crescimento do interesse do público, surgiram pedidos de pessoas que queriam viajar com ela. A procura acabou dando origem à Keka Pelo Mundo, empresa dedicada a expedições autorais, e a uma comunidade formada em torno das experiências compartilhadas nas redes sociais.
Em 2023, Keka publicou o livro Se você não sabe qual o próximo passo, talvez seja hora de viajar, reunindo parte das experiências adquiridas durante as viagens. Na época, havia visitado 85 países. O número continuou crescendo e chegou a 111 países, além de todos os continentes e de todos os estados brasileiros. Grande parte dessas viagens foi realizada sozinha.
A experiência também modificou sua relação com o próprio turismo. Para Keka, uma viagem não se resume ao destino escolhido, mas pode representar um período de mudanças e descobertas pessoais. Essa visão passou a orientar o trabalho desenvolvido pela empresa, que organiza expedições para destinos como Tailândia, Egito, Noruega e Fernando de Noronha.
A atuação de Keka também se expandiu para outros segmentos. Entre seus projetos está a Keka Flip, marca de sandálias que aposta em chinelas coloridas voltadas a pessoas que valorizam conforto e ousadia. A iniciativa amplia a presença da empreendedora para além do turismo e acompanha uma característica que aparece em diferentes projetos de sua trajetória: a construção de produtos e experiências associados à sua identidade e à forma como se relaciona com o público.
De acordo com informações apresentadas pela empreendedora, a agência já atendeu mais de mil viajantes e alcançou faturamento de sete dígitos, construído principalmente a partir da produção de conteúdo e da presença de Keka nas redes sociais.
Fernando de Noronha ganhou um significado especial nessa trajetória. Durante muito tempo, Keka enxergou a ilha como um destino distante e caro. A percepção mudou à medida que passou a frequentar o arquipélago e a estabelecer uma relação mais próxima com o local. A experiência resultou na criação da Casa da Keka, pousada e espaço de experiências instalado em Noronha.
A administração do empreendimento trouxe uma nova realidade profissional. A distância do continente e as particularidades logísticas da ilha acrescentaram desafios à gestão do negócio. Foi durante esse período que Keka passou a dedicar mais atenção a questões relacionadas à rotina, à espiritualidade e à relação com a natureza.
Nesse processo, começou a realizar transmissões ao vivo diariamente, às cinco horas da manhã, acompanhando o nascer do sol. Os encontros eram voltados a reflexões sobre escolhas, comportamento e mudanças pessoais. Segundo dados divulgados por Keka, mais de 50 mil pessoas passaram a acompanhar seu perfil nos 20 dias seguintes ao início dessa fase.
Foi nesse contexto que ganhou força um projeto que já vinha sendo pensado por ela: o Coragem é Músculo. A proposta parte da compreensão de que coragem não deve ser tratada apenas como uma característica que algumas pessoas possuem e outras não. Para Keka, trata-se de uma capacidade que pode ser exercitada e desenvolvida ao longo do tempo.
Com início previsto para 20 de setembro, o desafio terá duração de sete dias e será composto por atividades diárias e encontros ao vivo. A intenção é estimular os participantes a identificar situações em que o medo interfere em suas decisões e a desenvolver formas de transformar reflexão em atitude.
O projeto ainda está sendo estruturado e, segundo Keka, deverá ser construído também a partir da participação da comunidade. A proposta é que as experiências dos participantes contribuam para definir os próximos passos do desafio e para determinar se a iniciativa poderá ganhar proporções maiores.
A ideia de trabalhar a coragem está diretamente relacionada às decisões tomadas por Keka ao longo da vida. Viajar sozinha aos 18 anos, permanecer em outros países, deixar uma carreira de 12 anos como bombeira militar, iniciar um negócio próprio e assumir a administração de uma pousada em uma ilha são alguns dos momentos que ela identifica como importantes para sua trajetória.
As mudanças também alcançaram sua vida pessoal. Keka conta que, nos últimos anos, viveu transformações relacionadas à forma como compreende sua própria identidade e seus relacionamentos. Neste ano, casou-se em Fernando de Noronha com Verena, decisão que também considera parte de um processo de assumir escolhas pessoais diante das expectativas externas.
Apesar de defender o exercício da coragem, Keka faz uma distinção entre coragem e impulsividade. O conceito que apresenta é o de “coragem consciente”, baseado na avaliação dos riscos, no reconhecimento do medo e na responsabilidade pelas consequências de cada decisão. A proposta não é ignorar o receio diante de uma situação, mas compreender o que está por trás dele antes de tomar uma atitude.
A mesma perspectiva aparece nos projetos que desenvolve atualmente. Além do desafio Coragem é Músculo, Keka mantém a atuação no turismo autoral e na formação de profissionais por meio da MAVA, mentoria criada para pessoas interessadas em desenvolver seus próprios negócios no setor. O programa já reuniu aproximadamente uma centena de alunos em quatro turmas.
A trajetória que começou com um intercâmbio na Índia, passou pela carreira militar e ganhou novos rumos por meio das viagens chegou, portanto, a uma etapa em que Keka busca compartilhar não apenas os lugares que conheceu, mas também as escolhas que fizeram parte desse percurso. Entre viagens, empreendedorismo, hotelaria, produtos e formação profissional, seus projetos refletem uma trajetória construída a partir de diferentes experiências e decisões.
O Coragem é Músculo representa essa nova frente de trabalho e parte de uma convicção construída a partir da própria experiência: o medo pode fazer parte de uma decisão sem necessariamente determinar o caminho a ser seguido.
O desafio está previsto para começar em 20 de setembro e será divulgado pelo perfil @kekapelomundo.
Keka Pelo Mundo é ex-bombeira militar, viajante com 111 países visitados e fundadora de uma agência de expedições autorais. Também está à frente da Casa da Keka, em Fernando de Noronha, da MAVA, mentoria voltada ao turismo autoral, e da Keka Flip, marca de sandálias. É idealizadora do desafio Coragem é Músculo e casada com Verena.
Contato para pauta e entrevistas: Mava@kekapelomundo.com
Do tatame aos negócios: 5 lições que uma campeã mundial de Jiu-Jítsu leva para o empreendedorismo
Disciplina, estratégia e capacidade de lidar com derrotas são alguns dos aprendizados do esporte de alta performance que Carina Santi aplica na gestão de sua empresa
No esporte de alto rendimento, resultado não costuma ser consequência de um único momento de esforço. Ele é construído a partir de repetição, disciplina, estratégia e capacidade de continuar mesmo quando os resultados não aparecem como esperado. Para a atleta e empresária Carina Santi, vice-campeã mundial de Jiu-Jítsu e à frente da Almeida JJ Woman and Kids, academia voltada ao público feminino em São Paulo, muitos dos aprendizados conquistados no tatame se tornaram ferramentas importantes para sua trajetória no empreendedorismo.
Ao longo da carreira esportiva, Carina precisou aprender a lidar com derrotas, controlar a ansiedade, reconhecer o momento certo de agir e confiar em uma equipe. No mundo dos negócios, esses mesmos princípios continuam presentes em sua rotina.
“Resultado não vem da intensidade de um dia só, vem da consistência de muitos dias comuns. O tatame me tirou a ilusão do esforço heroico e me ensinou o valor do processo repetido”, afirma.
Segundo a empreendedora, cinco lições do Jiu-Jítsu são especialmente importantes para quem está construindo e administrando um negócio.
1. Disciplina não depende de motivação
No Jiu-Jítsu, Carina aprendeu que esperar pela motivação para treinar pode significar abrir mão da evolução. A constância, portanto, precisa existir mesmo nos dias em que a disposição não aparece.
No empreendedorismo, a lógica é semelhante. Há momentos em que resolver problemas, tomar decisões ou produzir conteúdo não está entre as atividades mais desejadas do dia, mas ainda assim precisam ser realizadas.
“Teve dia em que eu não tinha vontade nenhuma de resolver problema de academia ou gravar conteúdo, mas fiz porque tinha combinado comigo mesma. Motivação vem e vai. Disciplina é o que sustenta o negócio nos dias ruins”, explica.
Essa visão também influencia sua rotina. A empresária organiza horários para treinar, atender alunas, cuidar da filha e conduzir os projetos da empresa, mantendo os compromissos mesmo quando a rotina fica mais difícil.
2. Estratégia vence força bruta
No tatame, força física nem sempre é suficiente para superar um adversário. É preciso entender o jogo, observar os movimentos e escolher o momento adequado para agir.
Para Carina, esse princípio também é fundamental nos negócios. Empreender não significa necessariamente trabalhar mais horas ou tentar resolver tudo pela insistência, mas saber onde concentrar energia e recursos.
“No Jiu-Jítsu, quem só depende de força trava rápido contra alguém mais experiente. Empreender é igual: o mercado muda, o cliente muda, e quem não se adapta fica preso em uma estratégia que já não funciona”, afirma.
A capacidade de analisar cenários e fazer ajustes, portanto, pode ser mais importante do que simplesmente aumentar o esforço.
3. Derrota é informação, não identidade
Perder faz parte da trajetória de qualquer atleta. Para Carina, aprender a interpretar uma derrota foi essencial para continuar avançando na carreira e também se tornou uma habilidade importante no empreendedorismo.
“Perdi muita luta importante na carreira. Se eu tratasse cada derrota como um veredito sobre quem eu sou, teria parado há muito tempo”, conta.
Nos negócios, a empresária também já enfrentou erros, como decisões de contratação que não funcionaram e produtos que não tiveram o desempenho esperado. Em vez de transformar esses episódios em uma avaliação pessoal, ela procura enxergar o que pode ser extraído da experiência.
“Aprendi a separar ‘eu errei uma decisão’ de ‘eu sou um erro’. Dou espaço para sentir a frustração, mas rapidamente pergunto ‘o que isso me ensina?’ em vez de ‘o que isso diz sobre mim?’. Essa pergunta muda tudo”, afirma.
4. Paciência também faz parte da estratégia
No Jiu-Jítsu, tentar executar um movimento antes de encontrar a abertura adequada pode comprometer toda a luta. A atleta aprendeu, assim, que saber esperar também é uma forma de agir.
A mesma lógica foi aplicada à construção de seu negócio. Carina conta que já teve vontade de acelerar o crescimento da academia antes que a estrutura estivesse preparada para acompanhar a expansão.
“Já quis acelerar o crescimento da academia antes de ter estrutura pronta e entendi que negócio bom também respeita o tempo certo de cada movimento”, relata.
Para a empresária, paciência não significa ficar parado, mas observar o cenário, preparar a estrutura e reconhecer quando existe uma oportunidade real de avançar.
5. Um ambiente forte sustenta a performance individual
Embora o Jiu-Jítsu seja um esporte individual durante a luta, a preparação de um atleta de alto nível depende de uma rede de pessoas. Professores, parceiros de treino e equipe fazem parte do processo de desenvolvimento.
Essa percepção também está presente na gestão da Almeida JJ Woman and Kids. Carina afirma que construir uma equipe de confiança e aprender a delegar foram passos importantes para o crescimento da empresa.
“Nenhum atleta chega ao alto nível sozinho. Precisa de equipe, professor e parceiros de treino. Na Almeida JJ Woman and Kids eu levo isso a sério: construí uma equipe em quem confio e aprendi a delegar. Empresária que tenta segurar tudo sozinha quebra antes de crescer”, afirma.
Do tatame para a vida empreendedora
A experiência no esporte também mudou a maneira como Carina encara os momentos de incerteza. Em vez de esperar sentir-se completamente preparada para tomar uma decisão, ela defende a importância de começar e aprender durante o processo.
Para mulheres que desejam empreender, mas ainda têm receio de errar, a atleta recomenda não esperar que o medo desapareça para dar o primeiro passo.
“Comece antes de se sentir 100% pronta. No Jiu-Jítsu, ninguém entra na primeira luta sabendo tudo, aprende lutando. Empreender é a mesma lógica: a segurança vem depois da ação, não antes dela”, afirma.
Na visão da empresária, o medo pode continuar existindo, mas deixa de ser um impeditivo quando a pessoa desenvolve confiança a partir da própria experiência.
“O medo não vai embora sozinho. Ele diminui conforme você começa a andar mesmo com ele do lado”, conclui.